Quase 7 anos. Nao se sabe oque aconteceu, mas semana passada passou a viver na casa da Vovo, que fica longe. Uma casa branca, que fica sobre um pequeno morro.
Ha dois caminhos para a decida, um que passa por um mercado e vai ate a rua, e outro caminho, que passa por um bosque, onde as arvores eram altas, e a luz do Sol nao chegava na grama verde do chao, e se escutava som de um pequeno riacho. Bruninho queria explorar o bosque, mas nao sabia se a Vovo ia deixar.
Um dia o menino tomou coragem, e perguntou com certa inseguranca:
- Vo, hoje eh meu aniversario... posso ir brincar no bosque?
- Claro que sim, porque nao? - respondeu a Vovo, com uma voz tremula, mas doce.
Agradecido, deu um beijo nela, que ficou um pouco comovida.
- Mas volte antes do por-do-sol, se nao fica sem janta.
Entao ele sai de bicicleta junto com Bernardo, pastor alemao jovem e deceram o morro, desvidando para o caminho que levava ao bosque.
Todo sorridente, avista uma outra crianca lendo no bosque, ela usava um vestido rosa, e usava um chapeu de palha com um lacinho vermelho. Bruninho se alegrou em ver companhia, deceu da bicicleta, e comecou a andar em direcao da menina.
De repente, veio um vento forte, que levantou o chapeu dela, e levou em direcao a Bruninho, que segurou, e o devolveu:
- Obrigada. - Disse ela.
Ele a estranhou:
- Voce eh menina ou eh menino? Porque voce nao tem cabelo?
- Eu sou menina, eu tenho cancer, por isso nao tenho cabelo. Qual o seu nome? Quantos anos voce tem?
- Eu sou Bruninho, hoje fiz 7 anos. - Disse sorrindo.
- Eu sou Gabi, tenho 8 anos. Feliz aniversario. - Se alegrou, e convidou-o a sentar ao lado dela.
- Obrigado. Mas oque eh cancer? - Perguntou.
- Minha mae disse que eh uma doenca e que tenho porque Deus me ama muito. E que eh soh nao ter medo. Assim tudo vai dar certo e nao vou morrer. Minha mae tambem disse que eu posso contar as petalas das flores.
- Como assim contar as petalas? - perguntou curiosamente.
- Deixa eu te mostrar - pegou uma pequena flor branca de 7 petalas, e comecou a tirar uma por uma enquanto dizia - nao vou... sim vou... nao vou... sim vou... nao vou... sim vou... nao vou... -Eles se entreolharam depois da ultima petala. E ela sorriu - a ultima petala foi "nao", quer dizer que eu nao vou morrer.
Entusiasmado Bruninho pegou outra flor, azul, e comecou a tirar:
- Nao vai... sim vai... nao vai... sim vai... nao vai... sim vai... Sim. Entao voce vai morrer? Por que nossas respostas sao diferentes? - perguntou.
- Nao sei... - assim, os dois se tornaram amigos.
Depois de rirem muito, brincarem, se sentaram outra vez, cansados. De repente, Bruninho ficou pensativo.
- Oque foi? - perguntou Gabriela, preocupada.
- Mas voce nao tem medo de morrer? - Perguntou ele contrangido.
- Claro que sim! Mas mamae disse que quando as criancas morrem se transformam em anjos. Bem, e ate lah, eu terei asas e cabelo. - disse ela.
- Ah! Entao voce podera fazer trancinhas! - Alegrou-se ele.
- Sim e tambem usar presilhas e tiaras. - Sorriu.
- Que livro eh esse? - perguntou a crianca.
- Se chama "A tartaruga que semeava" quer que eu conte?
Gabriela fechou os olhos durante um tempo, respirou fundo, e comecou:
"Ao lado do rio, havia uma grande arvore. Sempre que os animais passavam perto, riscavam sobre o tronco da arvore, deixando assinaturas ou desenhando a eles mesmos, para deixar alguma lembranca. Somente a Tartaruga Ana chegava na arvore e semeava. Ela foi apelidada de "tartaruga boba".
Dois anos depois quando o ursinho e o coelho vieram para ver as lembrancas deixadas no tronco, ficaram assombrados... Debaixo da arvore estava cheio de flores violetas, amarelas, azuis, rosas e brancas. As borboleta vieram e comecaram a dizer 'Veja! Que belas flores!'
Entao todos os animais do bosque viram que as flores plantadas pela Tartaruga Ana sim sao lembrancas que valeram a pena."
- Bem, acho que voce deve voltar a sua casa. - disse Gabi, logo depois de terminar a historia. vendo que o Sol estava decendo.
- Eh verdade, se nao eu fico sem janta. - Lembrou-se Bruninho. Pegou a bicicleta, chamou o Bernardo e voltou para a casa, reflexionando sobre a tartaruga boba.
Desde entao, ele vai todos os dias ate o bosque de bicicleta, com Bernardo para brincar com sua nova amiga.
Um dia Gabi trouxe um cadeado:
- Semana que vem eu vou cumprir 9 anos. Mas eu vou ser internada amanha. Mamae disse que eu tenho que colocar esse cadeado em uma arvore bem alta, assim a Vovo Arvore vai cuidar de mim, e eu nao vou morrer. E poderei voltar aqui no meu aniversario - sem pensar duas vezes, Bruninho pegou o cadiado, e subiu o mais alto possivel e fechou o cadeado em um galho. E deceu. Segudou as maos dela e fechou os olhos. Fez um desejo em segredo. Entao ela guardou a chave no bolso.
- Semana que vem, no dia do seu anivesario eu vou te esperar aqui - prometeu Bruninho.
- Entao vamos plantar uma flor? - ela tirou duas sementes do bolso.
-Sim! - Felizes, plantaram.
Passou um dia, dois dias, tres dias, quatro dias, cinco dias... Bruninho ia todos os dias ao bosque, regava as sementes olhava pro cadeado, e ficava sentado sob a sombra da arvore, com Bernardo. Ate que chegou o dia do aniversario dela.
Mas ela nao voltou.
O ceu comecou a escurecer. E Bruninho ainda queria esperar. Mas ela nao voltou.
Entao ele pegou uma flor branca. E comecou a contar tristemente:
- Vai... nao vai... vai... nao vai... vai... nao vai... vai...
Entao ele sorriu.
- Ela vai voltar.
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